quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


"Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço."


Metade (Oswaldo Montenegro)

domingo, 26 de setembro de 2010


"Um velho cruza a soleira
De botas longas de barbas longas de ouro o brilho do seu colar
Na laje fria onde quarava sua camisa e seu alforje de caçador
O meu velho e invisivél Avôhai
O meu velho e indivisível Avôhai
Neblina turva e brilhante em meu cérebro coágulos de sol
Amanita matutina que transparente cortina ao meu redor
Se eu disser que é pesadelo você diz que é bem pior
E pior do que planeta quando perde o girassol
É o têrço de brilhantes nos dedos de minha avó
E nunca mais eu tive medo da porteira
Nem também da companheira que nunca dormia só

O brejo cruza a poeira
De fato existe um tom mais leve na palidez desse pessoal
Pares de olhos tão profundos que amargam as pessoas que fitar
Mas que bebem sua vida sua alma na altura que mandar
São os olhos são as asas/cabelos de Avôhai"

quinta-feira, 29 de julho de 2010


Talvez, se a gente encontrasse um lugar pra recarregar nosso amor
então, quem sabe eu pudesse enxergar vida no que nos restou
e essa estrela morta brilharia um sol
Meu bem, o pouco que eu posso te dar
É tudo o que eu já te dei e que não te bastou


Falta um pouco de luz nos seus olhos
e me dá saudade o seu rosto brilhando ao sol
Falta um pouco de amor no seu corpo
e eu não posso te dar pois em mim faltará também


Eu sei que você vê tudo o que eu faço
Eu sei que você lê tudo o que escrevo
Escrevo pra você

segunda-feira, 12 de julho de 2010


Eu não ouvi bem
Então vai precisar gritar
Entre o ruído forte
E o silêncio e a morte
Algo que corte essa idéia errada
A minha porta fechada
E o que não me deixa escutar
Da água pro vinho
O rio tinto sobre serra acima
O sangue novo impede a vida de terminar
No começo da queda
É que a vontade de subir se firma
Mesmo que esteja longe demais pra voltar
Melhor acreditar que é imagem
A noite aparece e escurece o brilho dos olhos
Reflete um mundo que a muito adoeceu
Sem palavra que acalme
Sem mentira que cole
Os fragmentos do povo
Que nem com o tempo cresceu
Coberto de razão e de formigas
Se foi mais um herói
Se um preço alto tem a carne
Maior tem o ideal
Gostou da briga acreditando
Que tiro de amor não dói
A ignorância aliviando
O plano material
Melhor acreditar que é miragem
Qualquer vento vai te levar
Pra fora da mente
Já não sou mais eu quem está na direção
Se a dor não sai
Eu simplesmente não lembro mais
Viu, nem me viu
Quem me faz flutuar
Pode andar sobre o mar
E fazer, refazer, começar, terminar
Um dia após o outro
A minha vida se escreve
Por mais que seja um peso leve
Minha pegada afundou
Na corrida do ouro
Segundo lugar não serve
e acomodar com a derrota
E renegar quem eu sou
Melhor que acreditar numa imagem
Qualquer hora eu venho te levar
Clareando a noite
Já não sou mais quem está nessa direção
Se a dor não sai
Eu simplesmente não lembro mais
Viu, nem me viu
Quem me faz flutuar
Pode andar sobre o mar
E fazer, refazer, começar, terminar


Não Lembro Mais - Rodox

segunda-feira, 31 de maio de 2010


Nunca viram ninguém triste?
Por que não me deixam em paz?
As guerras são tão tristes
E não tem nada demais

Me deixem, bicho acuado
Por um inimigo imaginário
Correndo atrás dos carros
Feito um cachorro otário

Me deixem, ataque equivocado
Por um falso alarme
Quebrando objetos inúteis
Como quem leva uma topada

Me deixem amolar e esmurrar
A faca cega, cega da paixão
E dar tiros a esmo e ferir
O mesmo cego coração

Não escondam suas crianças
Nem chamem o síndico
Nem chamem a polícia
Nem chamem o hospício, não

Eu não posso causar mal nenhum
A não ser a mim mesmo
A não ser a mim mesmo
A não ser a mim
"Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meus sonhos que você não crê, não crê"


Cazuza

domingo, 30 de maio de 2010


No oitavo dia Deus depois de tanto trabalhar
Para liberar tensões logo vou revisar
Disse tudo está muito bem é hora de descansar
E foi dar um passeio pelo espaço sideral

Quem iria imaginar
que o mesmo Deus ao regressar
iria encontrar tudo em uma desordem infernal
e que iria se converter em mais um desempregado
dessa taxa que anualmente está crescendo
sem parar

Desde então há quem o tem visto
Só nas ruas a transitar
anda esperando pacientemente por alguém
com quem ao menos tranqüilo
Possa conversar...

Enquanto este mundo gira e gira
sem que possamos o deter
E aqui embaixo muitos nos manipulam
como peças de xadrez
Não sou da classe de idiotas
que se deixam convencer
mas te digo a verdade
Que até um cego pode ver

Se por falta de ocupação
ou de excessiva solidão
Deus não resistiu mais
e se mudou pra outro lugar
seria nossa perdição
não haveria outro remédio mais
que adorar ao Michael Jackson
ao Bill Clinton ou ao Tarzan

É mais difícil ser rei sem coroa
do que uma pessoa mais normal
pobre de Deus que não sai em revistas
que não é modelo nem artista ou de família real

Enquanto este mundo gira e gira
sem que possamos o deter
E aqui embaixo muitos nos manipulam
como peças de xadrez
Não sou da classe de idiotas
que se deixam convencer
mas digo a verdade
Que até um cego pode ver


Oitavo Dia - Shakira